Mayara Brito
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Como a DIETA MEDITERRÂNEA pode melhorar os sintomas da DEPRESSÃO

Por: Mayara Brito -
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Como a DIETA MEDITERRÂNEA pode melhorar os sintomas da DEPRESSÃO

A dieta mediterrânea é um exemplo que tem mostrado resultados positivos na redução de sintomas depressivos, sendo reconhecida por suas propriedades anti-inflamatórias e neurotróficas. Ela é caracterizada pelo consumo predominante de azeite de oliva, frutas, vegetais, grãos integrais e peixes, com moderação no consumo de laticínios, aves e carne vermelha (Carvalho, 2021). 

Esses alimentos antioxidantes e antiinflamatórios podem fornecer neuroproteção, ajudando a regular o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, que desempenha um papel importante nos mecanismos da depressão. Portanto, uma dieta rica em frutas e vegetais pode ser eficaz na redução da depressão (Sousa, 2020 apud  por Gomes et al., 2022).

Ainda sobre a fisiopatologia da depressão, é possível observar a relevância do triptofano, um aminoácido essencial que só pode ser obtido através da alimentação. O triptofano é o precursor da serotonina, um neurotransmissor fundamental na regulação do humor, desempenhando um papel crucial no equilíbrio emocional e no bem-estar psicológico. Um estudo realizado com 25 adultos indica que o aumento de na ingestão dietética de triptofano (10 mg/kg), resulta em menos depressão, ansiedade e melhora no humor nos participantes saudáveis quando comparado a um baixo consumo na dieta (5 mg/kg). Uma das justificativas é que os níveis de serotonina no cérebro podem ter sido influenciados pela quantidade ofertada na alimentação. Alguns exemplos de alimentos ricos nesse aminoácido que podem ser incluídos no cardápio são: banana, ovo, leite, chocolate amargo, amêndoas, mel, sementes e grãos (Rocha et. al, 2021)

Uma revisão sistemática e metanálise, que analisou 16 ensaios clínicos randomizados e controlados, confirmou a eficácia de intervenções dietéticas na redução de sintomas de depressão e ansiedade em 48.826 indivíduos com idade média de 55 anos. As intervenções, adaptadas às necessidades individuais, tiveram uma duração média de 10 dias a 3 anos e focaram na melhoria da qualidade da ingestão de nutrientes (Carvalho, 2021).

O estudo SMILES (Supporting the Modification of Lifestyle in Lowered Emotional States) foi o primeiro a testar a melhoria da alimentação como uma estratégia de tratamento para a depressão. Este ensaio clínico examinou o impacto de uma versão modificada da dieta mediterrânea (baseada tanto na dieta mediterrânea tradicional quanto nas diretrizes alimentares australianas) em 67 pacientes com Transtorno Depressivo Maior (TDM), ao longo de 12 semanas. Os resultados mostraram uma taxa de remissão (MADRS < 10) em 32,3% dos pacientes que seguiram a intervenção dietética, em comparação com apenas 8% no grupo controle, que recebeu apenas suporte social. Esses achados forneceram evidências preliminares de que as intervenções alimentares são viáveis ​​em situações prejudiciais com depressão e trazem benefícios aos pacientes (Carvalho, 2021).


Referências:

CARVALHO, Ana Paula Lopes; LAFER, Beny; SCHUCH, Felipe Barreto (orgs.). Psiquiatria do estilo de vida. 1. ed. Santana de Parnaíba, SP: Manole, 2021

ROCHA, B. Ana Carolina et al. O papel da alimentação no tratamento do transtorno de ansiedade e depressão. Research, Society and Development, Brasília, v. 9, n. 9, 2020

GOMES, C; O; IOCCA, D; C; PAIVA, E; C; ANTUNES, P; B; FERREIRA, S; C; ARRUDA, S; V; SILVA, S; N; PEGORARO, V; A; Fatores Nutricionais associados à depressão. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.8, n.10, p. 70396-70410, oct., 2022 


Mayara Brito
Olá, sou a Mayara!

Sou nutricionista e ajudo você a construir uma relação mais saudável com a comida, baseada em equilíbrio, prazer e bem-estar. Tenho um olhar atento para como os hábitos alimentares influenciam a mente e o corpo, e busco promover uma reeducação alimentar que respeite a sua individualidade.

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