Mayara Brito
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Proteína: uma aliada importante, mas que tem seus limites

Por: Mayara Brito -
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Proteína: uma aliada importante, mas que tem seus limites

A proteína virou assunto obrigatório em qualquer conversa sobre emagrecimento ou ganho de músculo, e ela merece parte dessa atenção. Afinal, é o nutriente que mais sacia, que ajuda o corpo a gastar um pouquinho mais de energia durante a digestão e que protege os músculos quando estamos comendo menos para perder peso. Tudo isso é verdade.

Mas existe um exagero acontecendo. E esse exagero pode trazer consequências que quase ninguém fala.

O que a proteína realmente faz pelo emagrecimento

Quando você come proteína, o corpo precisa trabalhar mais para digeri-la do que faz com carboidratos ou gordura. Esse processo gasta energia e isso é ótimo. O problema é que esse gasto representa apenas cerca de 10% do total de calorias que você queima no dia. Ou seja, é um benefício bem menor do que a maioria das pessoas imagina.

A grande vantagem da proteína, na prática, é outra: ela deixa você satisfeito por mais tempo, o que naturalmente te faz comer menos ao longo do dia. E quando você está em uma dieta restritiva, ela ajuda a evitar que o corpo "coma" o próprio músculo para obter energia.

O que acontece quando exageramos

O problema começa quando a proteína deixa de ser um aliado e vira uma obsessão. Nos últimos anos, muita gente passou a consumir quantidades bem acima do que o corpo consegue aproveitar, influenciada por dietas da moda, suplementos e promessas de resultados rápidos.

Pesquisas recentes mostram que comer proteína em excesso por um longo período pode aumentar o risco de resistência à insulina e diabetes tipo 2. Mas o que isso significa na prática?

Pense assim: a insulina é um hormônio que funciona como uma "chave" que abre as células para receber glicose (açúcar) do sangue. Quando você come muita proteína constantemente, o corpo produz insulina em excesso. Com o tempo, as células se cansam desse sinal e param de responder direito, como se a chave não encaixasse mais na fechadura. Isso é a resistência à insulina, e ela pode evoluir para o diabetes.

Além disso, a proteína estimula a produção de outro hormônio chamado glucagon, que manda o fígado jogar mais açúcar na corrente sanguínea. Combinado com a resistência à insulina, esse efeito pode ser bastante prejudicial ao longo do tempo.

Tem ainda outro processo importante: o excesso de proteína ativa uma espécie de "botão de crescimento" dentro das células. Em doses certas e com exercício, esse botão ajuda a construir músculo. Mas quando fica ligado o tempo todo por causa do consumo excessivo de proteína, ele pode contribuir para o acúmulo de gordura e piorar ainda mais a resposta à insulina.

E ainda temos questões com rim: quando você come proteína, o corpo quebra esse nutriente em aminoácidos e, nesse processo, gera um resíduo chamado ureia. Esse resíduo cai na corrente sanguínea e precisa ser filtrado e eliminado pelos rins. Quanto mais proteína você consome, mais ureia é produzida e mais os rins precisam trabalhar para dar conta dessa filtragem.

Em pessoas saudáveis, os rins conseguem lidar com esse aumento de carga por um tempo. Mas quando o consumo excessivo se torna um hábito de longo prazo, esse esforço constante pode causar um processo chamado hiperfiltração glomerular, em linguagem simples, os rins ficam "estressados" de tanto trabalhar, e as estruturas responsáveis pela filtragem começam a se desgastar.

Com o tempo, esse desgaste pode levar à perda progressiva da função renal. Em quem já tem alguma condição nos rins, como pedras, infecções frequentes ou doença renal crônica, o risco é ainda maior e o dano pode ser mais rápido e severo.

Outro problema relacionado é o aumento da excreção de cálcio pela urina. Dietas ricas em proteína elevam a acidez do sangue, e o corpo usa o cálcio dos ossos para neutralizar essa acidez, eliminando o excesso pela urina. Isso significa que, além de sobrecarregar os rins, o excesso de proteína pode contribuir para a formação de pedras nos rins e, a longo prazo, para o enfraquecimento dos ossos.

Vale reforçar: para pessoas com rins saudáveis e que consomem proteína dentro de limites razoáveis, o risco é baixo. O problema surge no exagero crônico, especialmente em quem usa doses elevadas de suplementos proteicos por meses ou anos sem acompanhamento profissional.

Comer mais proteína não significa ganhar mais músculo

Essa é uma das maiores confusões sobre o assunto. Muita gente acredita que quanto mais proteína comer, mais músculo vai ter. Mas o corpo não funciona assim.

O músculo tem uma capacidade limitada de aproveitar a proteína que você ingere. Acima de um certo ponto, simplesmente não adianta comer mais, o excesso não vira músculo. É como tentar encher um copo que já está cheio: por mais que você despeje, não entra mais.

Isso não quer dizer que a proteína seja dispensável, ela é essencial para o crescimento muscular. Mas há um limite, e ultrapassá-lo não traz mais resultado. Só mais risco.

O que realmente constrói músculo e saúde

O ganho de músculo depende de um conjunto de fatores, não de um nutriente isolado. Treinar com regularidade e qualidade, dormir bem, descansar entre os treinos e manter uma alimentação equilibrada, com proteínas, carboidratos e gorduras nas quantidades certas, é o que de fato funciona.

Carboidratos, por exemplo, são frequentemente vilificados, mas são a principal fonte de energia do corpo durante o exercício. Sem eles, o treino perde intensidade e a recuperação fica prejudicada.




Mayara Brito
Olá, sou a Mayara!

Sou nutricionista e ajudo você a construir uma relação mais saudável com a comida, baseada em equilíbrio, prazer e bem-estar. Tenho um olhar atento para como os hábitos alimentares influenciam a mente e o corpo, e busco promover uma reeducação alimentar que respeite a sua individualidade.